Luta de Libertação

Luta de Libertação

O Processo da Luta pela Independência em Moçambique

A ocupação efectiva de Moçambique por parte do Estado colonial português encontrou uma forte resistência do Povo Moçambicano que, organizado de diversas formas opôs-se à dominação que lhe era imposta.

Em toda a extensão do território moçambicano, estados diversos e povos negaram, pacificamente, a subjugação, erguendo-se em diversas formas de resistência, pois, mais do que a exploração do Homem e dos recursos naturais, a fixação estrangeira implicava a descaracterização dos autóctones por via da desvalorização e/ou banimento dos seus conhecimentos e tradições seculares, em suma, a sua História Cultural. No entanto, apesar da sua audácia, as primeiras formas de resistências foram todas elas vencidas.

 Dois grandes factores ditaram o fracasso destes levantamentos

A superiodidade bélica do colonizador e, sobretudo, a falta de coesão entre o povo moçambicano, que vezes sem conta foi intencionalmente criada pelo colonialismo. A partir da segunda metade do século XX, o colonialismo português passou a usar métodos mais sofisticados que incluíam estratégias de incitação à divisão dos chefes locais, conquistando apoio de alguns e ganhando vantagens militares em relação às unidades políticas mais resistentes.

Esta estratégia culminou com a queda das resistências, dentre as quais se destacaram o Império de Gaza, em 1895, o Estado de Bárue, em 1918, e a última em 1920, no Planalto dos Makonde.

Como consequência, a ocupação do território moçambicano tornou-se efectiva o que permitiu a implantação da administração colonial portuguesa (Tembe, 2014). Economicamente frágil, Portugal adoptou uma estratégia de colonização virada fundamentalmente para a satisfação das necessidades de capitais internacionais, alienando o nosso País as potencias coloniais mais fortes.

A forma de acomulação de capital usada por Portugal nesta altura foi a venda de mão-de-obra para as economias agrárias e mineiras da região, bem como a concessão de terras e desenvolvimento de portos e prestação de serviços ao capital estrangeiro, sobretudo britânico que explorava as colonias da Rodésia do Sul e Norte, e a África do Sul. Para assegurar a produção interna, Portugal desencadeou o uso de força de trabalho em regime coercivo e a cobrança de impostos a população, conhecida na legislação colonial como “indigenas”.

Mondlane (1995:37), refere-se a este aspecto sublinhando que “entre 1890 e 1910 ficaram definidas as principais características do colonialismo português: uma rede administrativa centralizada e autoritária; a aliança com a igreja católica; a utilização de companhias, muitas vezes estrangeiras para explorar os recursos naturais; o sistema de concessões; trabalho forçado; e exportação em grande escala de trabalhadores para a África do Sul”.

A institucionalização da aquisição da força produtiva através do trabalho forçado, também designada por “chibalo”, foi uma das características marcantes do regime colonial. Tratava-se de um sistema baseado na opressão e na exploração dos moçambicanos, no trabalho das plantações coloniais, construção de infra-estruturas como estradas, pontes e caminhos de ferro a troco de salários de miséria. Muitas vezes, estes trabalhadores eram vítimas de maus tratos por parte dos empregadores e privados de direitos básicos. Sobre esta matéria, Adam (2000:387), destacou:

A situação de exploração e opressão conduziu ao recrudescimento do sentimento de revolta contra o regime colonial português. Com efeito, a partir da década de 1930, começaram a observar-se manifestações populares e de trabalhadores em oposição ao sistema. A título de exemplo, como forma de manifestação contra as culturas forçadas do algodão e do arroz, os camponeses passaram a cozer as sementes, reduziram as áreas de produção e abandonaram as suas aldeias.

Merece menção a ascensão do movimento operário das plantações e do sector ferroviário. Tais foram os exemplos das greves da Açucareira de Xinavane, em 1949 e dos estivadores dos portos de Lourenço Marques, da Beira e de Nacala. Estas últimas, ao longo dos anos, tiveram um carácter sistemático tendo ocorrido em 1948, 1956 e 1963.

Perante as crescentes ondas de contestação, o regime colonial endureceu a sua máquina repressiva contra o povo moçambicano. As perseguições, prisões, maus tratos e torturas levadas a cabo pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) em colaboração com o exército colonial aumentaram de intensidade.

O extremo destas barbaridades aconteceu em Mueda, a 16 de Junho de 1960, quando um grupo de moçambicanos dirigiu-se à administração local para, de forma pacífica, reivindicar a liberdade e justiça social.

A reunião tinha sido convocada pelo administrador alegadamente para responder as reivindicações dos camponeses da Sociedade Agrícola Africana e Voluntária de Moçambique e da União Makonde que pediam o fim do trabalho forçado, a autorização para abertura de lojas cujos donos fossem negros e, a venda livre e a preços aceitaveis de alguns produtos agro-pecuários (Tembe, 2014). A resposta colonial a esta acção pacífica não poderia ter sido mais fatal. Milhares de cidadãos foram barbaramente assassinados.

Referências

Matusse, R.., (2015). Captura do Quartel de Omar. (Maputo: ARPAC).

Moiane, J., (2009). Memórias de um Guerrilheiro. (Maputo: King Ngungunhane Institute).

Pachinuapa, R., Liphola, M., & Tiago, P. (Eds.). (2015). Moçambique: 40 Anos de Independência e Soberania. (Maputo:Nachingwea Editores).

Pachinuapa, R. (2011). Memória das Revolução 1962 -1974. (Maputo:Nachingwea Editores).