Movimentos

Avanço impetuoso da FRELIMO

De cerca de 250 combatentes em 1964 que a FRELIMO tinha, em 1967, os efectivos das forças guerrilheiras subiram para cerca de 8.000 homens. 

A guerrilha da FRELIMO estava equipada com vários tipos de armas, muitas fornecidas pela União Soviética e pela China. Algumas dessas armas incluíam a espingarda Mosin-Nagant, espingarda semiautomática SKS, AKM-47, e a PPSh-41. As metralhadoras Degtyaryov eram muito utilizadas, juntamente com a DShK e a SG-43 Goryunov.

A FRELIMO dispunha de morteiros, espingardas sem recuo, RPGs, defesa antiaérea como o ZGU-4 e, desde 1974, o sistema portátil de lançamento de mísseis Strella 2M. Durante a Luta de Libertação Nacional foram abatidos aviões da Força Aérea Portuguesa (FAP) como um T-6 em Outubro de 1967, pela defesa antiaérea da FRELIMO; em Novembro de 1971 um DO-27, foi atingido por tiros, resultando na morte do oficial observador em Niassa.

Aviões de reconhecimento e de combate foram derrubados em diferentes ocasiões em Cabo Delgado.

Devido à política de retenção do armamento novo em Portugal, enquanto o velho e obsoleto era enviado para as colónias, os soldados portugueses combatiam inicialmente com rádios da Segunda Guerra Mundial e com antigas espingardas Mauser. Com o desenrolar dos combates, a necessidade de uso de armamento novo foi rapidamente reconhecida, sendo adoptadas, por exemplo, as metralhadoras Heckler & Koch G3 e FN FAL como as principais do exército, juntamente com as AR-10 para os pára-quedistas.

Os guerrilheiros da FRELIMO, com o apoio logístico da população local, eram capazes de vigiar, perseguir e fugir empregando técnicas de guerrilha convencional: efectuando emboscadas a patrulhas, sabotando comunicações a linhas de caminhos-de-ferro, e fazendo ataques relâmpago contra postos coloniais e rapidamente desaparecerem na vegetação.

Durante o período chuvoso, era mais difícil perseguir os guerrilheiros por via aérea, anulando a superioridade aérea de Portugal, e mesmo por via terrestre dificultando os movimentos dos carros de combate. Por seu lado, as forças libertadoras da FRELIMO, com o seu equipamento mais leve, eram capazes de escapar pelo mato e juntarem-se às populações locais, passando despercebidas. Além disso, as forças da FRELIMO conseguiam alimentar-se dos produtos do terreno por onde passavam, ou oferecidos pelas populações não ficando, assim, dependentes de uma logística organizada e complexa.