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Operação Nó Górdio

A 10 de Junho de 1970, o exército português lançou uma contra-ofensiva de grande dimensão: a Operação Nó Górdio. O seu objectivo consistia em erradicar as rotas de infiltração dos combatentes ao longo da fronteira com a Tanzânia e destruir as suas bases em Moçambique. Esta operação durou sete meses, e mobilizou no total 35.000 militares, entre unidades de elite como pára-quedistas, comandos e fuzileiros.

A operação, que envolveu milhares de soldados, concentrou o seu foco no planalto de makondes e revelou-se num completo fracasso.

Foram utilizadas técnicas norte-americanas ensaidas no Vietname de ataque rápido com helicópteros, apoiados por fortes bombardeamentos aéreos, dos campos da FRELIMO, pela Força Aérea Portuguesa (FAP) para cercar e eliminar a guerrilha. Os bombardeamentos foram acompanhados por artilharia pesada terrestre. Os portugueses utilizaram, também, unidades de cavalaria por forma a cobrir os flancos das patrulhas, em zonas onde o terreno não permitia a utilização de veículos motorizados.

As primeiras dificuldades para os portugueses tiveram início quase de imediato com a chegada da época das chuvas, criando problemas a nível logístico.
As baixas do exéercito português começaram a ser superiores às da FRELIMO, levando a nova intervenção política a partir de Lisboa.

Na realidade, a guerra de guerrilha intensificou-se e estendeu-se para outras zonas do território nacional, com base na actuação de em pequenos grupos de gurrilheiros.
A Operação Nó Górdio falhou! A grande concentração de tropas portuguesas nesta operação enfraqueceu as frentes do Centro do País, o que permitiu o avanço dos efectivos da FRELIMO para constituição e consolidação de novas bases em Tete, Manica e Sofala.

Face ao avanço rápido da FRELIMO, a reacção desesperada do Exército português foi intensificar a cruelidade. A 16 de Dezembro, a 6ª companhia de Comandos mata os habitantes de três aldeias na Província de Tete. Nessa operação terrorista, conhecida por “Massacre de Wiriyamu”, os soldados portugueses terão assassinado entre 150 a 300 aldeões acusados de serem simpatizantes da FRELIMO. Muitas das vítimas eram mulheres e crianças. O massacre foi relatado, de novo, em Julho de 1973 por um padre católico britânico, Adrian Hastings, e dois outros padres missionários espanhóis.

Entre 1972 e 1974, a FRELIMO adoptou uma estratégia de ataque contra as maiores fontes de receita do regime, nomeadamente as linhas férreas Beira-Tete e Beira Machipanda. Ainda em 1973, a FRELIMO já se encontrava nas proximidades da Cidade da Beira e tinha como alvos o Aeroporto e os depósitos de combustível do Porto da Beira.
As vitórias da FRELIMO em 1973 e 1974, a pressão internacional e das forças progressistas em Portugal contribuíram para a queda do regime em 1974.